Relato Meu primeiro Ironman por Fernanda Roberta Faria Von Der Hayde

          Li algo que se encaixa perfeitamente “Existe duas provas de IM completamente distintas, uma da performance, de atletas fortes buscando tempo, completamente focados superando seus limites e, outro depois que escurece, que é o IM de uma superação completamente diferente, seja ela qual for para cada um”.

Eu estava ali superando alguns limites que durante anos me foram impostos, mas eu sempre acreditei que diagnóstico nao é destino e sabia que só dependia de mim transformar cada um deles em força para me fazer chegar ao fim.

 Com 21 anos fui submetida a minha primeira cirurgia na coluna lombar. Aos 30 anos voltei a sentir fortes dores e, passei pela segunda cirurgia em agosto de 2010, no inicio de 2011 minhas crises pioraram muito e na busca por resposta descobri que nasci com degeneração avançada na coluna vertebral, o que levou a ter compressão medular grave, me deixando bastante incapacitada. Ouvi de alguns médicos que deveria me aposentar por invalidez, que jamais voltaria a trabalhar ou a fazer exercícios. Em outubro de 2011 passei pela terceira cirurgia, uma artrodese lombar. Fiz 1 ano e meio de fisioterapia, fui liberada e comecei a fazer musculação por indicação médica, com a ordem de que jamais poderia parar de fazer exercício, para não ir para a quarta cirurgia. Nessa época meu marido, minha irmã e meu cunhado já corriam. Sempre ouvi que jamais poderia correr ou fazer qualquer exercício que gerasse impacto, porém com o passar do tempo fui ganhando confiança e em 2014 comecei a correr, minha primeira prova foi na distancia de 4,5 km e partir desse momento não larguei mais a corrida.

No inicio de 2015 comecei a treinar natação e fiz meu primeiro aquathlon, em outubro comprei minha primeira bicicleta speed e em janeiro de 2016 fiz meu primeiro short triathlon, tendo como sonho fazer um 70.3, me inscrevi para o IM RJ, porem em maio de 2016 durante a preparação do meu marido para seu primeiro IM, tive uma crise na coluna e descobri que estava com uma nova hérnia discal, meu médico me orientou a desistir do IM RJ, porque corria o risco de precisar passar por uma nova cirurgia e colocar mais 2 parafusos na coluna. Fiquei um mês sem treinar, mas eu tinha muito forte dentro de mim que diagnostico não é destino, e então eu refiz todos os meus planos, foquei na minha recuperação, contando com uma equipe incrível de técnico (Edmilson – Pato), técnico de natação (Alexandre – Boi), neurocirurgião (Dr. Daniel) médico do esporte (Dr. Tiago) , fisioterapeuta (Vinicius), nutricionista (Yana) e massoterapeuta (Daniela) para conseguir atingir meus objetivos.

Pra mim o IRONMAN era um sonho distante, bem distante, mas um certo dia que estava indo para Florianópolis fazer o bike fit, passei pela  Rodovia SC-401 aonde o ciclismo do IM passa e vi algumas mulheres treinando, meu olho brilhou, senti algo muito especial, uma sensação de que eu precisava encarar aquilo ali, olhei para o meu marido Jean e disse eu vou fazer o IM 2017.

Desde que iniciei o ciclo de treinamento para o IM, fui descobrindo capacidades que nem imaginava que tinha, e literalmente a vida começa no final da sua zona de conforto. Dores eu sinto e sempre vou sentir, mas a felicidade que o triathlon me traz é inexplicável, faz tudo valer a pena.

Treinei todos os dias sonhando em ouvir “Fernanda, You are an ironman”, e posso dizer agora que com certeza fazer o IM foi muito mais incrivel do que eu podia imaginar. Viver aquilo ali é mágico demais. Dizem que durante um Iron voce vai do céu ao inferno várias vezes, eu posso dizer que só fiquei no céu, eu estava tomada por um estado de felicidade absoluta, fiz a prova do inicio ao fim sorrindo!!!