Relato Um dia memorável! por Robson Rafael Pasquali

Eu achei que o dia de retornar ao triathlon nunca mais ia chegar. Em março de 2016 fiz o Iron Man da Nova Zelândia vindo de várias provas em 2015 – a última, o Iron Man 70.3 de Miami onde sofri muito pelo calor – depois disso, vendi minhas coisas de triathlon, bike, rolo, parei de nadar, joguei fora o que havia estragado, casei, mobiliamos apartamento, fiquei só na corrida e na correria do trabalho… estava cansado. Fiz provas de montanha, viajei, e esqueci que eu era triatleta, que algum dia sabia nadar e pedalar com uma contra-relógio.
Em janeiro desse ano comprei tudo novo, inclusive sapatilha que tinha jogado fora depois que estragou no Iron Man da Nova Zelândia, roupas novas, bike, rolo, capacete, garmin para a bike…enfim, recomecei do zero. No mesmo mês voltei a nadar, e depois de fazer o Cruce de Los Andes em fevereiro, voltei a pedalar, nadar e correr, como um verdadeiro triatleta precisa fazer. Coloquei como meta “voltar a ser triatleta. Me inscrevi no 70.3 da Polônia em Agosto, e antes disso precisava me sentir triatleta novamente. Precisava de uma prova para colocar em prática aquilo que eu havia voltado a fazer.


O Olimpico de Guaratuba, no dia 18 de junho, era a única oortunidade que eu tinha por já estar suficiente treinado e que não ficasse muito perto da competição em Agosto.
Coincidentemente a prova era no dia do meu aniversário, e no primeiro aniversário de casamento, o que deixava tudo mais “fácil” e “difícil” ao mesmo tempo ( te amo Jéssica, minha esposa).
No dia anterior eu estava tão ansioso que antes de dormir tive uma crise de rinite, parecia que ia morrer, claro que, tudo isso por estar nervoso.
Na manhã do check-in, porém, acordei tranqüilo, coloquei minhas coisas na área de transição (fui o terceiro a chegar) e voltei para o hotel. Me arrumei, tomei café e voltei para a largada. A ansiedade ainda estava dentro de mim, e sempre que eu pensava “eu já fiz isso antes, calma”. Rodeado de amigos, rodeado de gente querida, com um canto de parabéns, a largada foi dada e tudo começou a fluir.
Começei a nadar bem, a me sentir bem, e quando percebi, estava entre o primeiro e o segundo pelotão. Que alegria desfrutar daquele momento no dia do meu aniversário!
Na transição para a bike comecei a entrar de corpo e alma na prova. Pedalei bem, sempre confiante, e sempre pensando que eu estava voltando a fazer aquilo que mais gosto: triathlon. Em algum momento, me emocionei, por lembrar que eu estava vivo no triathlon, que era meu aniversário, que era meu aniversário de casamento e minha vida estava tão boa que eu só tinha motivo para acelerar mais naquele percurso
Entreguei a bike em 9º, feliz demais da vida, e sabendo que a corrida ia ser sofrida por não estar treinado suficientemente. Consegui correr, manter uma média legal, e quando cruzei a faixa de chegada com 2h07min tive uma das melhores sensações que já tive em competições, uma alegria inenarrável. Eu tinah voltado, e pra mim, voltado bem.
Não bastasse tudo aquilo que eu estava passando, consegui um troféu de 3º lugar na categoria, a última da minha vida, já que ano que vem eu subo de categoria. Foi um dia extraordinário, um dia feliz, e tudo isso por ter amigos e estar fazendo novamente aquilo que eu amo fazer.
Se eu pudesse deixar um recado para quem, como eu, ficou um tempo ou está fora do triathlon, é que voltar a treinar e voltar a participar de uma prova com amigos, é a melhor coisa do mundo.
Obrigado a todos que fizeram meu dia especial. 18 de junho de 2017, nunca vou te esquecer!