Relato FODAXMAN 2017 por Yan Husadel Leduc

 

Relato do atleta Yan Husadel Leduc sobre a prova FODAXMAN EPIC TRI – EXTREME TRIATHLON!!!

Uma prova na distância Full Iron ( 3800 natação, 180 km bike, 42 km run) com altimetria acumulada de quase 5 mil mts!!!

 

Faço triathlon há 13 anos e já disputei muitas provas na vida, como 6x Ironman, 20x Half Ironman em vários países e outras muitas provas de Maratona, Travessias e Triathlons curtos e Olímpicos mas nunca havia tido um desafio como foi o FODAXMAN!!!

 

Quando me candidatei pensei que não seria aprovado pelo fato de nunca ter feito nada extremo,  nem ultra-maratonas ou coisas do tipo, não criei muitas expectativas. Mas a aprovação veio e eu fiquei super feliz e aceitei o desafio. Prontamente muitos amigos já se ofereceram para me ajudar como staffs que é obrigatório. Após a aprovação efetuei a inscrição conversei com o Coach Cali Amaral e iniciamos o trabalho específico para essa prova. Confesso que nunca treinei tanto na vida, tive momentos que fiquei muito cansado e o Cali sempre soube mexer os pauzinhos para acertar os detalhes. Treinei bastante sozinho, o que foi minha maior dificuldade, mas fui determinado e fiz tudo o que pude fazer.

 

Inscrevi como staffs oficiais a Camila minha esposa e apoiadora incondicional, meu sogro/pai que sempre se dedica à família de forma impressionante e o grande amigo e parceiro de todas as horas Roger. Eu sabia que equipe melhor eu não poderia ter, pois, tratavam se de 3 pessoas fantásticas e 3 triatletas que entendiam muito bem o que estava acontecendo a cada momento.

 

6a feira de manhã partimos para Balneário do Rincão logo cedo. Chegando lá no local da largada a energia pré prova era fantástica, fui conhecendo os atletas e famílias, e estava todo mundo extremamente feliz de estar ali. Me senti importante no meio daqueles atletas com tantas histórias e provas importantes em seus currículos. Meu objetivo era tentar terminar a prova e vencer a altimetria que era o maior desafio.

 

Na madrugada do sábado largamos as 5 horas da manhã, no escuro, em um lago que só se enxergavam as luzes de algumas casas do outro lado. Minha estratégia era não fazer força na natação e assim foi, nadei bem alongado e tranquilo na esteira do Fernando Palhares que é um dos organizadores da prova e foi 2° colocado geral, sai da água muito bem em 6° colocado e inteiro. Bom vamos lá, agora começa a prova, sai para pedalar com a bike TT e fui muito conservador como  eu havia planejado, tudo corria muito bem, meu carro de apoio vinha atrás de mim dando o suporte de tudo que eu precisava, então no km 45 eu pedi para que eles se adiantassem por uns 5 km e deixassem minha bike speed pronta para eu trocar de bike, quando eles aceleraram o carro e foram embora, meu pneu traseiro furou. Eu logo parei troquei rapidamente e quando fui encher percebi que já estava esvaziando de novo por um pequeno rasgo no pneu, ou seja, não tinha o que fazer a não ser trocar de bike. Mas eu estava longe do apoio e sem comunicação, logo começaram a me ultrapassar os atletas e pararam para oferecer ajuda. Pedi para a staff da Livia Bustamante avisar meus staffs, e até que eles fossem avisados e chegassem de volta lá fiquei 24 min parado. Como eu tinha muito medo dos tempos de corte da prova, nesse momento pensei que essa parada me custaria o morro da igreja. Não tinha o que fazer, eu me acalmei e quando eles chegaram peguei a outra bike e segui meu caminho sem forçar para não sair da estratégia. Seria estúpido eu tentar recuperar o tempo perdido sendo que eu teria mais 9 ou 10 horas de prova pela frente, então fui na minha velocidade de cruzeiro e quando cheguei no pé da serra do rio do rastro me juntei com outros 3 atletas que foram minhas cias até o final do pedal. Além disso no meio da serra apareceu do meu lado o carro do Rodrigo meu cunhado com a Paula (cunhada), minha sogra (Denise) e o meu afilhado Igor de 2 anos gritando “Vai Tio Yan” no mega fone dele, aquilo ali foi um momento marcante da prova, a família estava toda parando nas curvas para me apoiar. Eu e os outros 3 atletas fomos nos ultrapassando e nos motivando, e quando cheguei no topo da serra eu estava exausto pela subida. Não tinha nenhum problema físico e nem dores mas não tinha mais força para pedalar. Fiquei me alimentando e hidratando e esperando a energia voltar e nada, simplesmente acabaram minhas forças. Me deu um desespero, cheguei a aceitar a ideia de que não completaria o pedal, porque não daria tempo. Decidi parar e deitar no chão. Foi o pior momento, eu estava abatido e realmente cansado, os outros atletas também sentiram muito a serra com aquele calor. Quando deitei eu pedi para minha equipe coisas para comer e eles massagearam minhas pernas. Eu podia perceber a preocupação deles e isso era uma coisa muito boa porque eu sentia um compromisso com eles, e eu precisava tentar ir mais, mesmo que não conseguisse eu não podia simplesmente dizer “vamos embora”. Eles não aliviaram, apesar da preocupação, e me disseram que desistir não era uma opção. E apesar de ter pensado nisso antes, eu fiquei quieto e não falei nada, e então eu voltei para a prova. Após uns 15 min parado, a “vida” começou a voltar. Minha energia foi voltando, e é impressionante como isso acontece em provas assim longas. Eu continuava cansado, mas a energia voltou e eu voltei a subir bem. É isso mesmo, subir, depois da serra do rio do rastro tem MUITAS subidas. Eu diria que é a parte mais difícil, mas fui indo e ali eu já sabia que o pedal eu terminaria. Quando cheguei em Urubici foi uma emoção, apesar de não ter ideia do que seria a corrida dali para frente. Levei 9 hs e 8 min para fazer o percurso da bike.

 

A Camila e o André ficaram na pousada onde era a T2 para arrumar as coisas e o Roger me acompanhou de mtb nos primeiros 7 km da maratona, que era um percurso de ida e volta plano e no asfalto. Quando saí para correr já vi que estava bem, correndo solto, cada km virando a 5.0 ou 5.05 e eu bem leve e tranquilo. Cheguei na pousada de novo com 7 km e MUITO calor, a Camila se surpreendeu como foi rápido. Me hidratei e fui em frente pois eu estava no limite de tempo de corte para poder entrar no morro da igreja (1200 mts de altimetria) que era o percurso oficial da prova. Quem chegasse lá no km 26 após as 18:30 não poderia subir o morro e seria obrigado a seguir por um caminho alternativo (quase plano) apenas para completar a distância, e eu queria subir o morro. Fiz muita força até o km 26, fui ultrapassando atletas, e na verdade eu nunca me importo com colocação mas quando meu staff me falou que eu estava em 9°, eu achei muito massa estar no top 10 de uma prova que apesar de poucos atletas só tinha atleta casca grossa. Isso me motivou, quando cheguei as 18h no km 26 no posto de controle (com meia hora de folga do tempo de corte) no pé do morro da igreja percebi que estava havendo uma discussão com a arbitragem da prova. Fiquei desesperado quando escutei que eu não poderia mais subir porque o oficial do SINDACTA havia mudado o horário limite para 17.30 hs. Depois de uma discussão, eu e o atleta Fabio Lima, que tinha chegado um minuto na minha frente ali, subimos o morro e o Fernando Couto vinha 1 km atrás também conseguiu subir. A subida foi uma parte fantástica, eu e o Fabio nos tornamos amigos ali e nos ajudamos até a linha de chegada. Quando fomos chegando perto a emoção era incontrolável. Quando vi a família e os staffs que dedicaram seu dia a me ajudar na minha maluquice percebi que aquilo era uma conquista nossa. Um extreme triathlon desses o cara não faz sozinho, e eles foram incansáveis, passaram o dia sem comer e se preocupando com o que eu estava sentindo ou o que eu deveria comer. O choro veio involuntariamente, e em uma prova tão longa a gente não pensa na linha de chegada. Mas quando ela chega é algo que poucas pessoas vão saber o que eu senti e o que eles sentiram també. Eu e o Fabio decidimos empatar na prova, não mudaria nada para nós chegar em 8° ou 9°, a camaradagem que aconteceu ali foi o mais legal e o mais importante. Chegamos com 15 horass e 41 min de prova e fomos parte dos 11 atletas que chegaram lá em cima do morro da igreja, outros terminaram também a prova com o mesmo respeito pelo caminho alternativo.

 

O dia 16/12 foi o dia mais fantástico que já vivenciei no triathlon desde que iniciei. Paisagens fantásticas e um nível de parceria e camaradagem entre staffs e atletas que só vendo para acreditar. Ainda estou vivendo o êxtase de ter completado essa prova e ainda é cedo para falar de futuro mas o Norseman se tornou mais viável depois deste dia.

 

Agradecimento especial aos staffs, simplesmente não há palavras para agradecer estes 3, Camila, André e Roger, conquistamos juntos esta prova, ter o apoio de vocês foi a coisa mais legal da prova. A Paula, Rodrigo, Denise e Igor que alegraram a prova e me motivaram muito indo para lá me assistir. Minha mãe, que apesar de não poder estar junto pela logística da prova, apoiou 100% como sempre, meu pai que não está mais entre nós, mas que foi minha companhia durante a prova toda, desde que ele se foi poucas vezes eu conversei tanto com ele. E também o Coach Cali Amaral que com sua experiência fez um pangaré como eu participar de um evento desse porte, terminar bem, no dia seguinte estar sem dores musculares, realmente quem sabe, sabe, é preciso respeitar a história do Coach Cali e a Metodologia Trisutto. Minha nutri Katia que acertou no plano da prova, me mantive bem hidratado (pelas nossas contas foram 16 litros de líquidos) e alimentado a prova inteira, ao Zanotti / Seven Recovery, por me deixar sempre pronto e recuperado para os próximos treinos! Vocês todos fazem parte dessa conquista!!